sexta-feira, 22 de maio de 2009

Esperança (Daniela Costa)


A esperança é o que enche meu coração de alegria,

é o que preenche o vazio dos meus dias,

é o que me anima,

e renova minhas energias!


A esperança, é o que enche de felicidade minha alma,

é o porto seguro, o abraço acolhedor,

é a mão caridosa, que me acolhe e acalma,

é o ombro amigo, onde confidencio minha dor.


A esperança, é o que me permite sonhar,

é o que na vida, me faz acreditar.

É o que traz brilho ao meu olhar.

É algo, que nunca me deixa desanimar!


A esperança, é o que seca minhas lágrimas,

e abafa meus soluços.

É o que me faz vencer meus medos,

e superar todos os meus tropeços...


Ah esperança!

Tão doce e tão almejada,

quem dera todos nós a tivéssemos,

para seguirmos firmes em nossa jornada.




quinta-feira, 14 de maio de 2009

Hino Nacional (Carlos Drummond de Andrade)

Precisamos descobrir o Brasil!
Escondido atrás das florestas, com a água dos rios no meio, o Brasil está dormindo, coitado!
Precisamos colonizar o Brasil!
O que faremos importando francesas muito louras, de pele macia, alemãs gordas, russas nostálgicas para garçonnettes dos restaurantes noturnos. E virão sírias fidelíssimas. Não convém desprezar as japonesas.
Precisamos educar o Brasil!
Compraremos professores e livros, assimilaremos finas culturas, abriremos dancings e subvencionaremos as elites.
Cada brasileiro terá sua casa com fogão e aquecedor elétricos, piscina, salão para conferências científicas. E cuidaremos do Estado Técnico.
Precisamos louvar o Brasil!
Não é só um país sem igual. Nossas revoluções são bem maiores do que quaisquer outras; nossos erros também. E nossas virtudes? A terra das sublimes paixões...os Amazonas inenarráveis... os incríveis João-Pessoas...
Precisamos adorar o Brasil!
Se bem que seja difícil caber tanto oceano e tanta solidão no pobre coração já cheio de compromissos... se bem que seja difícil compreender o que querem esses homens, por que motivo eles se ajuntaram e qual a razão de seus sofrimentos.
Precisamos, precisamos esquecer o Brasil!
Tão majestoso, tão sem limites, tão despropositado, ele quer repousar de nossos terríveis carinhos.
O Brasil não nos quer! Está farto de nós! Nosso Brasil é no outro mundo.
Este não é o Brasil. Nenhum Brasil existe. E acaso existirão os brasileiros?

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Ausência (Vinícius de Moraes)


Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos... que são doces.

Porque nada te poderei dar, senão a mágoa de me veres eternamente exausto.

No entanto, a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida!

E eu sinto que em meu gesto, existe o teu gesto, e em minha voz, a tua voz.

Não te quero ter, porque em meu ser, tudo estaria terminado.

Quero só que surjas em mim, como a fé nos desesperados.

Para que eu possa levar uma gota de orvalho, nesta terra amaldiçoada.

Que ficou sobre a minha carne, como nódoa do passado.

Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face, em outra face.

Teus dedos, enlaçarão outros dedos, e tu desabrocharás para a madrugada.

Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.

Porque eu encostei minha face, na face da noite, e ouvi a tua fala amorosa.

Porque meus dedos, enlaçaram os dedos da névoa, suspensos no espaço.

E eu trouxe até mim, a misteriosa essência do teu abandono desordenado.

Eu ficarei só, como os veleiros, nos pontos silenciosos.

Mas eu te possuirei como ninguém, porque poderei partir.

E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas...

Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Indiferença (Daniela Costa)


Quando caí em mim mesma, e me enxerguei por inteira,
senti que uma dor profunda dilacerava o meu coração,
pois percebi todas as minhas falhas e fraquezas.
Constatei que, na ânsia de controlar o mundo,
não conseguia dominar nem a mim a mesma.
Minha alma se contorceu, se quebrou, e se desfez, pouco a pouco...
em meio a tantas angústias, e a tantas frustrações!
Descobri que para conquistar o mundo, teria primeiro que conquistar e respeitar a mim mesma.
Percebi também, que não era usando uma couraça de arrogância e agressividade,
que iria conseguir o respeito, e principalmente, o carinho das pessoas.
Quando eu imaginava que seguia em frente,
verifiquei que caminhava para trás, em um retrocesso constante...
e em plena decadência!
Meus conceitos, minhas exigências, minha imprudência, minha intolerância...
Não me permitiam ver o mal que tenho feito aos outros, e a mim mesma.
Quantas palavras mal ditas, quantos corações magoados.
Quantas pedras atiradas em alvos inocentes.
Quanta ignorância, ao pensar que aos berros, conquistaria a atenção de alguém.
O que consegui, foram apenas olhares de reprovação, daqueles que não tiveram a oportunidade nem mesmo de me orientar.
Quanto tempo desperdiçado, e quantas pessoas deixadas para trás,
perdidas na névoa do passado, em meio aos meus atos impensados!
E quanta tristeza senti, ao observar que minha colheita não poderia ser próspera, pois havia plantado...

Apenas indiferença!


quarta-feira, 6 de maio de 2009

Pense Diferente (Flávio Penna)


2009 está aí. Tem, como os outros anos, 365 dias. Aliás, os cientistas deram a ele um segundo a mais, o que significa que você terá mais tempo para realizar, em 2009, todos os seus sonhos e projetos.
Mas eu no seu lugar, não estenderia muito esta lista de propósitos. Faria apenas um compromisso. Um apenas para ter a certeza de que poderei me dedicar inteiramente a ele. Eu assumiria o compromisso de, em 2009, ser feliz.
É claro que emagrecer será muito bom, mas se não conseguir, vou ser feliz com os quilinhos a mais. O carro, a casa, o emprego melhor, tudo, se virar realidade, ótimo. Se não, vou ser feliz assim mesmo. Afinal, estou atrás de tudo isto a minha vida toda e não será, por não ter conseguido realizar tudo num ano, que vou me sentir infeliz, frustrado.
Alguém, não sei quem (são muitas pessoas falando muitas coisas), disse que tem mais presença em nós aquilo que nos falta. Se bem entendi, ele está chamando a atenção para a mania que temos de pensar muito mais no que não temos, do que naquilo que temos.
No ano novo, pense diferente. Valorize tudo o que você tem. Tudo mesmo, material e imaterial. Assim, se nos 365 dias, quatro horas e um segundo de 2009, houver perdas, e elas são inevitáveis, você poderá, mesmo assim ser feliz. Feliz por ter sido feliz com aquilo que Deus (se você acredita nele) ou o destino (se você acredita nele), lhe deu.
Enfim, seja feliz mesmo. Não se prenda ao que apenas lhe dá felicidade momentânea. Esta história de que felicidade não é algo contínuo, é papo furado de quem não se anima a ir atrás dela, se agarrando ao que lhe faz feliz no momento. Bom, mas esta é uma discussão complicada e se você, em 2009, quer só viver feliz, vá em frente. É o seu projeto.
Agora, se você quer ser feliz, neste ano que começa e nos que virão, faça o propósito, único, de ser feliz. Com certeza você vai conseguir realizar cada um de seus sonhos. Se alguns deles forem impossíveis na sua cabeça, faça uma troca. Coloque outro no lugar e esqueça aquele.
Quando você virar a folha do calendário, pense apenas no que conseguiu realizar na folhinha virada. Não lamente o que não conseguiu. Pelo menos no calendário, é vida nova. Viva esta vida intensamente.
Estou torcendo para que todos os bons “dades” acompanhem você no ano que começa:
Tenha liberdade. Dignidade. Capacidade. Lealdade. Mais idade. Autoridade. Simplicidade. Vaidade. Validade. Identidade. Humildade. Prosperidade. E por que não saudade, que é lembrança de coisa boa que vivemos.

Felicidades.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Limitações - (Fernando Pessoa)




Onde você vê um obstáculo,

alguém vê o término da viagem,

e o outro, vê uma chance de crescer.

Onde você vê um motivo pra se irritar,

alguém vê a tragédia total,

e o outro, vê uma prova para sua paciência.

Onde você vê a morte,

alguém vê o fim,

e o outro, vê o começo de uma nova etapa.

Onde você vê a fortuna,

alguém vê a riqueza material,

e o outro, pode encontrar por trás de tudo,

a dor e a miséria total.

Onde você vê a teimosia,

alguém vê a ignorância,

e um outro, compreende as limitações do companheiro,

percebendo que cada qual caminha em seu próprio passo.

E que é inútil querer apressar o passo do outro,

a não ser que ele deseje isso.

Cada qual vê o que quer, pode ou consegue enxergar.

Porque eu sou do tamanho do que vejo,

e não do tamanho da minha altura.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Fios de Prata (Daniela Costa)


É sempre assim, em um dado momento da vida, quando você menos espera, eles aparecem. Silenciosamente, sem alardes, nem aviso prévio. Chegam sorrateiramente, como se fizessem questão de lhe provar que você não possui o controle sobre tudo, e muito menos, sobre a linha do tempo.
Traiçoeiros, tentam se camuflar para mostrarem-se pouco a pouco. Podem ser interpretados de várias formas. Uns agregam-lhes valores, e os transformam em sinônimo de sabedoria e aprendizado. Outros, já os vêem de forma negativa, um sinal de que os dias estão se passando, sem retorno, como se não tivéssemos outra escolha, senão seguir em frente. Muitas vezes, eles nos provam que a infância e a juventude, são vividas apenas uma vez.
Eles também possuem o poder de nos fazerem refletir. Olhar para trás, e analisar nossas atitudes, sentimentos, emoções. Às vezes, assustamos-nos com o que já fomos capazes de falar, fazer e planejar...
Em certas ocasiões da vida, quando deparamos-nos nitidamente com eles, fazemos um retrocesso e visualizamos aquilo que foi aproveitado, e também tudo o que foi desperdiçado, e desprezado por nós. Nisto se incluem oportunidades que deixamos de lado, momentos especiais que não nos permitimos viver, e principalmente, pessoas que tivemos o dom de descartar!
Mas o lado bom de tudo isso, são aquelas saudosas recordações. Lembranças que fixaram-se em nossa memória através da solda do tempo. Quantos momentos alegres em família. O chamego da mãe, a seriedade do pai, as peraltices dos irmãos, as artes que fazíamos escondidos, achando sempre que ninguém nos descobriria. O primeiro amor, que no fundo, talvez não tenha passado de um sonho de criança. Os amigos queridos, eternamente guardados em nossos corações. Os sonhos de meninos e meninas de tornarem-se astronautas, médicos, veterinários, jogadores de futebol, cantoras, dentistas, modelos, artistas de cinema.
Quanta coisa boa eles, nossos tímidos fios de prata, nos fazem recordar, trazendo-nos a sensação de dever cumprido. Ao emoldurar nossas faces, estes, às vezes temidos cabelos brancos, afloram dentro de nós, lágrimas de gratidão, reconhecimento e respeito, por toda a nossa história, e por todos aqueles que fizeram parte dela!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

O Analfabeto Político ( Bertold Brecht / Alemanha1898-1956 )



O pior analfabeto é o analfabeto político.

Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, da renda
de casa, dos sapatos, dos remédios, dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro, que se orgulha e enche o peito de ar, dizendo que odeia a política.

Não sabe, o idiota, que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor
abandonado, e o pior de todos, os bandidos, que são os políticos vigaristas, ladrões,
os corruptos e lacaios exploradores do povo.






quinta-feira, 16 de abril de 2009

A verdade dói (Arnaldo Jabour)



- Brasileiro é um povo solidário. Mentira. Brasileiro é babaca. Pagar 40% de sua renda em tributos e ainda dar esmola para pobre na rua ao invés de cobrar do governo uma solução para pobreza; Aceitar que ONG's de direitos humanos fiquem dando pitaco na forma como tratamos nossa criminalidade... Não protestar cada vez que o governo compra colchões para presidiários que queimaram os deles de propósito, não é coisa de gente solidária. É coisa de gente otária.

- Brasileiro é um povo alegre. Mentira. Brasileiro é bobalhão. Fazer piadinha com as imundíces que acompanhamos todo dia é o mesmo que tomar bofetada na cara e dar risada. Depois de um massacre que durou quatro dias em São Paulo, ouvir o José Simão fazer piadinha a respeito e achar graça, é o mesmo que contar piada no enterro do pai... Brasileiro tem um sério problema. Quando surge um escândalo, ao invés de protestar e tomar providências como cidadão, ri feito bobo.

- Brasileiro é um povo trabalhador. Mentira. Brasileiro é vagabundo por excelência. O brasileiro tenta se enganar, fingindo que os políticos que ocupam cargos públicos no país, surgiram de Marte e pousaram em seus cargos, quando na verdade, são oriundos do povo. O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado ao ver um deputado receber 20 mil por mês, para trabalhar 3 dias e coçar o saco o resto da semana, também sente inveja e sabe lá no fundo que se estivesse no lugar dele faria o mesmo. Um povo que se conforma em receber uma esmola do governo de 90 reais mensais para não fazer nada e não aproveita isso para alavancar sua vida (realidade da brutal maioria dos beneficiários do bolsa família), não pode ser adjetivado de outra coisa que não de vagabundo.

- Brasileiro é um povo honesto. Mentira... Já foi; hoje é uma qualidade em baixa. Se você oferecer 50 Euros a um policial europeu para ele não te autuar, provavelmente irá preso. Não por medo de ser pego, mas porque ele sabe ser errado aceitar propinas. O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado com o mensalão, pensa intimamente o que faria se arrumasse uma boquinha dessas, quando na realidade isso sequer deveria passar por sua cabeça.

- 90% de quem vive na favela é gente honesta e trabalhadora. Mentira. Já foi. Historicamente, as favelas se iniciaram nos morros cariocas quando os negros e mulatos retornando da Guerra do Paraguai ali se instalaram. Naquela época quem morava lá era gente honesta, que não tinha outra alternativa e não concordava com o crime. Hoje a realidade é diferente. Muito pai de família sonha que o filho seja aceito como 'aviãozinho' do tráfico para ganhar uma grana legal. Se a maioria da favela fosse honesta, já teriam existido condições de se tocar os bandidos de lá para fora, porque podem matar 2 ou 3, mas não milhares de pessoas. Além disso, cooperariam com a polícia na identificação de criminosos, inibindo-os de montar suas bases de operação nas favelas.

- O Brasil é um pais democrático. Mentira. Num país democrático a vontade da maioria é Lei. A maioria do povo acha que bandido bom, é bandido morto, mas sucumbe a uma minoria barulhenta que se apressa em dizer que um bandido que foi morto numa troca de tiros, foi executado friamente. Num país onde todos têm direitos mas ninguém tem obrigações, não existe democracia e sim, anarquia. Num país em que a maioria sucumbe bovinamente ante uma minoria barulhenta, não existe democracia, mas um simulacro hipócrita. Se tirarmos o pano do politicamente correto, veremos que vivemos numa sociedade feudal: um rei que detém o poder central (presidente e suas MPs), seguido de duques, condes, arquiduques e senhores feudais (ministros, senadores, deputados, prefeitos, vereadores).Todos sustentados pelo povo que paga tributos que têm como único fim, o pagamento dos privilégios do poder. E ainda somos obrigados a votar. Democracia isso? Pense ! O famoso jeitinho brasileiro. Na minha opinião, um dos maiores responsáveis pelo caos que se tornou a política brasileira.

- Brasileiro se acha malandro, muito esperto. Faz um 'gato' puxando a TV a cabo do vizinho e acha que está botando pra quebrar. No outro dia o caixa da padaria erra no troco e devolve 6 reais a mais, caramba, silenciosamente ele sai de lá com a felicidade de ter ganhado na loto... malandrões, esquecem que pagam a maior taxa de juros do planeta e o retorno é zero. Zero saúde, zero emprego, zero educação, mas e daí? Afinal somos penta campeões do mundo né??? Grande coisa...

- O Brasil é o país do futuro. Caramba, meu avô dizia isso em 1950. Muitas vezes cheguei a imaginar em como seria a indignação e revolta dos meus avôs se ainda estivessem vivos. Dessa vergonha eles se safaram...

- Brasil, o país do futuro!? Hoje o futuro chegou e tivemos uma das piores taxas de crescimento do mundo.

- Deus é brasileiro. Puxa, essa eu não vou nem comentar...

O que me deixa mais triste e inconformado é ver todos os dias nos jornais a manchete da vitória do governo mais sujo já visto em toda a história brasileira. Para finalizar tiro minha conclusão: O brasileiro merece! Como diz o ditado popular, é igual mulher de malandro, gosta de apanhar. Se você não é como o exemplo de brasileiro citado nesse e-mail, meus sentimentos amigo, continue fazendo sua parte, e que um dia pessoas de bem assumam o controle do país novamente. Aí sim, teremos todas as chances de ser a maior potência do planeta. Afinal aqui não tem terremoto, tsunami, nem furacão.Temos petróleo, álcool, bio-diesel, e sem dúvida nenhuma o mais importante: Água doce!Só falta boa vontade, será que é tão difícil assim?

terça-feira, 14 de abril de 2009

Fazer valer a pena! (Daniela Costa)


O importante não é o jeito que se morre,
mas sim, a maneira como se vive!
O que adianta temer a morte,
se não se descobre uma boa razão para viver a vida?
Qual a vantagem de prender-se a regras e preconceitos,
se o sentimento que bate em seu peito,
pede algo mais?
O que adianta viver dentro dos limites, se sua mente é ilimitada?
Seus desejos, suas ambições, suas neuras, seus vilões...
Por que colocar tudo dentro de uma caixa, e encerrar em um porão?
Como diria Cazuza: “Só quem se mostra, é que se encontra”.
Então por que se esconder, se iludir e se render?
Enganar-se tentando ocultar de si mesmo sua essência, seus desejos e seus devaneios?
Por que viver em um mundo quadrado, se as possibilidades são redondas?
Se for verdade que a vida é uma só, aproveite o seu tempo, fazendo com que ela valha a pena!

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Cinco Centavos (Daniela Costa)


Outro dia passei por uma situação inédita, e que fez-me refletir sobre as adversidades, a que nós, seres humanos, estamos sujeitos. Ao sair por volta das 22h30min da faculdade, acelerei o passo para não perder o tão esperado ônibus. Nesta semana em específico, posso dizer que os ânimos estavam um pouco exaltados na sala de aula. Tínhamos cinco provas, em apenas três dias! Após uma hora e meia de exame, confesso que saí meio desnorteada da faculdade. Quando cheguei ao ponto, para minha surpresa, ao retirar o dinheiro da bolsa para pagar a passagem, notei que estavam faltando benditos cinco centavos!
Não possuo o hábito de levar muito dinheiro comigo, carrego somente o necessário. Neste dia, tirei cópias de algumas matérias e descuidei-me deste detalhe. Ao perceber que o valor estava incompleto, pensei em algumas soluções para o problema.
A primeira, foi olhar para o chão e tentar encontrar alguma moedinha perdida por ali, o que nos dias atuais, está quase impossível! A segunda, foi tentar encontrar algum conhecido e pedir os tão necessários centavos, mas quando precisamos, é quase certo que ninguém irá aparecer. A terceira, foi entrar no ônibus e passar pelo constrangimento de explicar a situação ao trocador, e perguntar se poderia ficar devendo aquela pequena quantia, mas preferi evitar esta cena. A quarta, foi ligar para o meu namorado e pedir uma carona, o que me levaria a ficar pelo menos mais uns quarenta minutos esperando. E a quinta e última opção, foi ir para casa a pé, mesmo por que, a distância não era tão longa, e eu levaria apenas uns quinze minutos para chegar. Bom, não foi a opção mais segura, mas foi a que tomei, afinal, caminhar até que faz bem.

A história poderia até ser cômica, se não nos fizesse pensar sobre o quanto somos frágeis e dependentes do sistema capitalista no qual estamos inseridos. Neste caso, cinco centavos que aparentemente não fazem a diferença, fariam toda a diferença, nesta, e em muitas outras ocasiões! Fiquei pensando naquelas pessoas que passam por situações semelhantes, ou piores, diariamente. A realidade é que, infelizmente, aquele que não possui recursos financeiros, não consegue sobreviver com dignidade na sociedade atual.
Os estabelecimentos comerciais podem sempre oferecer bala como troco, mas o consumidor não pode ficar devendo um centavo que seja.
As tarifas das passagens de ônibus podem ser reajustadas de acordo com os interesses dos empresários do setor, mas o usuário, geralmente, não pode embarcar sem pagar.
Os supostos flanelinhas podem exigir que você pague um trocado, que muitas vezes é previamente estipulado, mas o governo, não perdoa o imposto que você não teve condição de pagar, e também não garante sua segurança e seu direito de ir e vir.
Os boletos bancários de contas como aluguel, água, luz, cartões de crédito, lojas de roupas; podem ser pagos adiantados sem nenhum abatimento, mas se a conta for paga com atraso, os juros jamais serão perdoados.
O departamento de trânsito e as auto-escolas, podem cobrar horrores de taxas para se tirar uma carteira de motorista, e podermos circular livremente com nossos veículos. Já os motoristas, não podem deixar de pagar o seguro obrigatório, o IPVA, e muito menos as temíveis multas.
As empresas de telemarketing e as instituições bancárias, podem cobrar tarifas altíssimas, para oferecer um atendimento que beira ao descaso.
Nas universidades, os alunos têm que pagar em dia suas mensalidades para não terem que passar por longos processos de negociação, que na maioria das vezes, não os beneficiam. Em contrapartida, as escolas podem oferecer um ensino de má qualidade.
As leis progrediram, o país foi democratizado, o povo conquistou o direito do sufrágio universal e a tão sonhada liberdade de expressão. Mas parece que neste mundo, onde o capitalismo impera, continuamos à mercê do antigo coronelismo da república velha, onde quem manda, é quem pode pagar mais!
Continuamos dependentes do governo, das empresas, da justiça, da polícia, da política, e da boa vontade de muita gente. E neste caso, cuidado com o seu precioso dinheiro, pois provavelmente você não será tão bem sucedido, se não o tiver!

terça-feira, 24 de março de 2009

Amar (Daniela Costa)


Quem inventou este tal de gostar, esqueceu de avisar que amar, às vezes também significa sofrer.
Quando amamos, nos tornamos extremistas, e os sentimentos se afloram, em uma erupção constante.
Nosso coração segue em uma infinita roda de vento, indo e voltando a todo o instante!
Em um dado momento, amamos loucamente...
Em outro, odiamos intensamente...
O vai e vêm de emoções, altera nossos sentidos, invade nosso corpo e alma.
Tira o nosso sono, perturba nossos sonhos.
A vida se torna um carrossel desenfreado, onde perdemos as rédeas de nós mesmos.
Mas amar, também significa perdoar, e quando necessário, também significa pedir perdão!
Quando, nos tortuosos caminhos de nossos destinos, tivermos a felicidade de encontrar um grande amor, devemos ter a consciência de que amar, é também renunciar a si mesmo.
Muitas vezes, é fazer algo que não se quer, só para ver um sorriso iluminar a face de quem se ama, ou para ver em seus olhos, o brilho da gratidão!
É... amar é uma confusão!
Mas triste daquele que viveu toda uma vida, sem ter sentido as confusões de um grande amor!

segunda-feira, 16 de março de 2009

SOS CORAÇÃO (Daniela Costa)


Certa vez li uma mensagem, que dizia que o coração das pessoas assemelha-se a uma folha de papel, que uma vez amassada, jamais voltará ao seu estado normal.
A princípio, soa como uma associação tola. Mas não é. Faz todo sentido do mundo!
Como fazer com que um coração ferido, magoado, maltratado, volte a ficar sadio? Como apagar suas cicatrizes?
Será que o simples fato de nos arrependermos, nos desculparmos, é o suficiente para fazer este milagre, curar um coração?
Não, não é!
As palavras mal ditas, adoecem o corpo e a alma de quem sofre suas agressões. Resultam em angústias, depressões, síndromes do pânico, baixa auto-estima e desvalorizam o ser humano.
Talvez sejam fáceis de serem esquecidas por aqueles que as proferem. Mas quem as ouve, será capaz de deletá-las?
E por que será que continuamos agindo como tolos, como pessoas incapazes de nos moldarmos?
Qual a vantagem de termos uma sociedade cheia de indivíduos descontrolados?
Ter o temperamento explosivo, não é justificativa para se dizer o que quer, quando quer, e para quem quiser. Afinal, se o temperamento é seu, por que é que as pessoas ao seu redor, é que devem sofrer as consequências?
Provavelmente seja muito fácil falar. Difícil mesmo, é controlar a raiva. Mas se começarmos a perceber o quanto somos ridículos nestes momentos de fúria, teremos força para renovarmos nossas atitudes.
A vida é muito curta e as pessoas muito valiosas, para deixarmos à beira de cada estrada que percorrermos, as marcas da nossa ignorância! Tenhamos consciência de nossa responsabilidade enquanto seres humanos. Ao invés de deixar cicatrizes, deixe gratidão, saudade, consideração, respeito e amor, no coração de cada um que você tiver a felicidade de conhecer.

quarta-feira, 11 de março de 2009

A Morte - Pedro Bial


A morte, por si só, é uma piada pronta.

Morrer é ridículo.

Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde, morre.

Como assim?

E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?

Não sei de onde tiraram esta idéia: MORRER!!!

A troco de quê?

Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente.

Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu.

Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente...

De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis.

Qual é?

Morrer é um chiste!

Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida.

Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, dependuradas também algumas contas.

Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.

Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu.

Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer.

Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã.

Isso é para ser levado a sério?

Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo?

Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas.

Morrer é um exagero.

E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas.

Só que esta não tem graça.

Por isso, viva tudo que há para viver.

Não se apegue as coisas pequenas e inúteis da Vida.

Perdoe... Sempre!

Adiar...Adiar...Adiar...

Será sempre o melhor dos caminhos?

terça-feira, 10 de março de 2009

O que você vai fazer de sua vida hoje? (Daniela Costa)


Recebi um email com slides que fizeram-me refletir sobre a grandiosidade desta questão: O que eu vou fazer da minha vida hoje?
Lá dizia que era necessário pensar bem em quais seriam minhas escolhas. E a justificativa para isto era simples, porém, de infinita sabedoria.
A mensagem sugeria que eu fosse cuidadosa, pois estaria trocando um dia de minha vida, por aquilo que havia escolhido. E isto é simplesmente fantástico!
Significa que a escolha está em nossas mãos. Que poderemos deixar que os minutos se percam entre lágrimas, lamúrias, tristezas e rancores, ou que tudo pode ser modificado, se mudarmos o rumo de nossos pensamentos e atitudes.
Um dia de nossas vidas, é muito para se perder. As oportunidades, as pessoas, os momentos; são únicos!
Por mais que a rotina se instale em nosso dia a dia, um dia, nunca será igual ao outro. As palavras ditas, os casos contados, os sorrisos, os desejos, as aflições; nada irá se repetir. Por isso, o tempo torna-se precioso demais para ser desperdiçado. Para ser trocado por mesquinharias e ociosidades, pela improdutividade e falta de criatividade.
O tempo, este grande manipulador de nossas histórias, poderá ser utilizado contra, ou a nosso favor. Poderemos construir nosso presente e desconstruir aquilo que nos fez mal no passado.
Quem sabe possamos pensar em soluções, ao invés de problemas? Em solidariedade, respeito e caridade, ao contrário de sofrimento e dor?
O que você vai fazer de sua vida hoje?
Talvez eu possa sugerir que trabalhe, estude, corra atrás de seus objetivos. Mas sugiro também que ame, que faça algo por prazer, e não somente por que tem que fazer. Que preocupe-se com as urgências da vida, mas que dê atenção aos seus pormenores. Que observe os seus detalhes, e visualize os seus encantamentos. Que delicie-se com uma boa música, um bom café, com um bichinho de estimação, com as flores, com a luz do sol, com o ar puro, com as estrelas, ou que simplesmente, apaixone-se por si mesmo.
O que você vai fazer de sua vida hoje?
Resta a você, escolher!


sábado, 7 de março de 2009

O mundo dos estereotipados (Daniela Costa)


Fico pensando no sentido exato da palavra “Preconceito”. Sim, porque nem sempre ele é explícito, descarado. Muitas vezes ele é traiçoeiro, dissimulado, mas nem por isso, deixa de ser voraz.
O preconceito é uma doença contagiosa, e seu antídoto, está longe de ser criado. Ele se apresenta de formas variadas. Existem aquelas manifestações mais sutis, como aquele risinho irônico, aquele olhar enviesado, ou aquela indiferença mal dissimulada. Em algumas ocasiões, ele se apresenta de forma mais agressiva, escancarada. É quando se ofende a cor, o credo, as crenças políticas, sexuais, o time de futebol, ou até se xinga a mãe de alguém. Na maioria das vezes, julga-se os outros por sua condição social, como se em sã consciência alguém tivesse escolhido nascer pobre, e viver na miséria.
Existem aqueles que dizem não ter preconceito, mas na primeira oportunidade que tém, se referem às pessoas através de estereótipos do tipo: “O filho da minha empregada”, “A mulher do porteiro do meu prédio”, ou até, “A menina que trabalha lá em casa”. Será que estas pessoas não possuem nome?
Outras vezes, quando o problema é pessoal, tende-se a desacatar a vizinha, “que por ser gostosona, é considerada uma desavergonhada”, o colega de sala, “que por tirar boas notas, é claro que é um baba ovo”, o companheiro de trabalho, “que por ter um bom relacionamento com o chefe, é um puxa saco”, a amiga, “que por ser bonita, é metida”, e assim vai se estereotipando todo mundo que se encontra pela frente.
As empresas abrem vagas, e muitas vezes, só contratam por indicação. Qual o problema com o resto da população? Será que não merecem uma chance para tentarem se inserir no mercado de trabalho?
Quando é um processo aberto, os profissionais que realizam a seleção nem sempre estão preparados para a função. É, porque se olharem para você e se sentirem ameaçados, esquece! Se por uma falta de sorte você for mais bonito, mais comunicativo, mais inteligente que o entrevistador, foi-se para o ralo a oportunidade de conseguir um novo emprego.
O crivo do preconceito é bem pessoal. Alguns professores, quando dominam uma determinada disciplina, olham para os alunos como se eles fossem uns ignorantes. Como se os alunos tivessem passado uma vida inteira, por conta de estudar aquele assunto.
Alguns chefes, mal cumprimentam seus subordinados, por se sentirem na mais alta esfera do espaço sideral. Sendo que educação, dizem, vem de berço. E a prepotência, deve ter nascido junto, no mesmo parto né?
O jovem que conhece de carros, motos, fala inglês, francês, viaja sempre para o exterior, se sente superior ao rapaz que trabalha na roça, conhece de boi, vaca, plantação, horta, e de vez em quando, vai à cidade. Agora, superior em quê? Não é através do trabalho de milhares de agricultores, que a sociedade se mantém?
A menina, que com suas madeixas lisas e loiras, se sente mais bonita que a colega que possui cabelos negros e crespos. Mas, não é verdade que a beleza está nos olhos de quem vê? Então, rendamos graças à diversidade genética. Senão, seríamos todos, literalmente iguais.
A madame, que esbanja dinheiro comprando roupas de grife, bolsas e sapatos importados, muitas vezes desdenha o vestuário simples das demais mulheres. Mas qual a diferença? O fato de alguém não se vestir como uma Barbie, influência em seus valores, em sua postura ética, profissional ou pessoal?
O cara, que curte um som sertanejo, música de raiz, é inferior ao que ouve ópera? Não seria uma questão puramente de gosto musical?
Pois é, o mundo dos estereotipados é bem amplo e seria impossível especificar todos de uma só vez, e é bem provável que todas sejamos vítimas e algozes neste universo. O que vai fazer a diferença, é o ponto de vista de cada um. O que não podemos esquecer, é que no final, tudo e todos, possuem o seu valor. E todos, mais cedo ou mais tarde, irão retornar ao pó.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Como realizar seu sonho ( Roberto Shinyashiki)


Não conheço ninguém que conseguiu realizar seu sonho, sem sacrificar feriados e domingos pelo menos uma centena de vezes.
Da mesma forma, se você quiser construir uma relação amiga com seus filhos, terá que se dedicar a isso, superar o cansaço, arrumar tempo para ficar com eles, deixar de lado o orgulho e o comodismo.
Se quiser um casamento gratificante, terá que investir tempo, energia e sentimentos nesse objetivo.
O sucesso é construído à noite!
Durante o dia você faz o que todos fazem.
Mas, para obter um resultado diferente da maioria, você tem que ser especial.
Se fizer igual a todo mundo, obterá os mesmos resultados.
Não se compare à maioria, pois infelizmente ela não é modelo de sucesso.
Se você quiser atingir uma meta especial, terá que estudar no horário em que os outros estão tomando chope com batatas fritas.
Terá de planejar, enquanto os outros permanecem à frente da televisão.
Terá de trabalhar, enquanto os outros tomam sol à beira da piscina.
A realização de um sonho depende de dedicação.
Há muita gente que espera que o sonho se realize por mágica. Mas toda mágica é ilusão, e a ilusão não tira ninguém de onde está. A ilusão é o combustível dos perdedores.
“Quem quer fazer alguma coisa, encontra um meio".
"Quem não quer fazer nada, encontra uma desculpa".

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Embrutecimento do Ser Humano (Daniela Costa)


Muitas vezes nos questionamos sobre o que é certo ou errado, ético ou não, sobre nossas convicções, e principalmente, sobre a opinião alheia. Ontem mesmo, ouve um acirrado debate na faculdade sobre o documentário “O Prisioneiro da Grade de Ferro”, realizado no extinto complexo penitenciário do Carandiru, pelo diretor Paulo Sacramento.
Para quem ainda não teve a oportunidade de assistir, o filme faz refletir sobre o sistema carcerário brasileiro, mostrando o dia a dia dos presos. O grande diferencial na verdade, foi a forma inovadora que o autor utilizou para obter as imagens, deixando que os personagens principais da trama, gravassem sua própria história. A intenção era fazer um documentário imparcial, mostrando todos os lados da moeda. E mesmo sabendo que a imparcialidade total não existe, creio que o autor se aproximou muito de seu propósito inicial.
O fato é que este tipo de trabalho gera sentimentos diversos àqueles que o assistem. Cada telespectador terá uma visão diferenciada sobre o assunto. Nossa orientadora, como manda o figurino, quis mostrar aos alunos a necessidade de assistir a este documentário, apenas observando os fatos, sem tomar partido, sem fazer pré-julgamentos, ou , como adoram dizer, sem cair no senso comum. Afinal, aqueles que estão lá, no presídio, já foram julgados e condenados pela justiça. O que realmente faz sentido, partindo do princípio que estamos falando de uma turma de estudantes de jornalismo, e não de direito. E sabendo também que a função do jornalista jamais foi a de julgar e condenar, e sim, apenas levar a informação à sociedade, seja ela qual for, baseando-se, é claro, na verdade.
Mas, deixando de olhar o curso em específico e passando a analisar o ser humano por trás do diploma, qual será a opinião de cada um?
Nossa orientadora, ficou chocada, ao perceber que alguns alunos não se sensibilizaram com a situação dos presos ao assistirem às péssimas condições do presídio, a má alimentação, a falta de segurança, a violência interna, a escassez de apoio médico e a precariedade generalizada. Nem mesmo quando foram exibidas cenas de corpos mutilados, muitos alunos, não se condoeram.
Outros, defenderam os direitos humanos, culparam a sociedade, o governo, o sistema, como se isso justificasse a prática da violência.
Mas será mesmo que nascer pobre, sentir fome, frio, sede, não ter oportunidades, será que por pior que seja a condição do ser humano, isso é o suficiente para justificar crimes hediondos, como os praticados contra o menino João Hélio, arrastado por quarteirões? Contra a menina de seis anos, estuprada e morta no triângulo mineiro, ou contra um casal de jovens, que em um momento de lazer, decidiram prestar socorro a um suposto agonizante, e foram rendidos, ocasionando a morte do rapaz e a perda da sensibilidade das pernas da jovem, que além de ser baleada, também foi covardemente estuprada? Será que as más condições sociais, justificam que qualquer um cometa qualquer tipo de crime, contra seu semelhante?
A realidade nos mostra diariamente uma sociedade que se torna cada vez mais endurecida. Já não nos chocamos ou comovemos com as barbáries ocorridas, pois afinal, elas ocorrem constantemente. A atrocidade de ontem, já não é lembrada amanhã, pois outros acontecimentos similares já se tornaram notícia.
Fatos que deveriam ser motivo de protestos, de manifestações, de abaixo assinados, de um movimento conjunto da população, tornam-se corriqueiros, normais, e isso, é terrivelmente assustador.
As pessoas parecem não mais se importar, simplesmente deixam que o medo e a violência as paralisem.
E se eles, os algozes, não têm piedade de homens e mulheres de bem, pessoas que trabalham honestamente e lutam por condições melhores de vida, pais e mães que criam com sacrifício seus filhos, jovens que tentam desesperadamente encontrar um lugar ao sol, brasileiros que diante de tantas dificuldades, negligências, carências, persistem bravamente, como esperar que se defenda os direitos humanos de seres, que não nos parecem humanos?
Como acreditar na justiça, se mesmo quando ela é feita, vidas já foram perdidas? Por que esperar que as tragédias sociais aconteçam e deixem seus rastros catastróficos, para depois tentar remediar, o que já não tem remédio? Por que nós, os governantes, pensadores, filósofos, estudantes, trabalhadores, operários, a massa, não tentamos lutar contra esse mal, que está nos destruindo pouco a pouco?
Se a raiz do problema parte de uma sociedade extremamente capitalista, individualista, consumista e desigual, por que então não mudar práticas e conceitos falhos e ultrapassados? Por que não rever as leis que se baseiam em uma sociedade pré histórica e não acompanham a realidade? Por que aceitarmos que poucos decidam sobre o rumo de nossas vidas, sem questionarmos sua conduta, sua ética, seus desmandos, e sem exigirmos que cuidem do nosso povo, que sarem nossas feridas, fazendo o que estão sendo pagos por nós para fazer? Que distribuam o dinheiro cobrado do povo de forma justa, sanando suas necessidades essenciais. Que nos ofereçam o que nos pertence por direito, que é o acesso à saúde, à alimentação, à educação, ao trabalho e principalmente que devolvam a nossa dignidade.
A que ponto ainda mais grotesco e repugnante teremos que chegar para começarmos a mudar esta realidade? O fato é que todos estamos sujeitos às falhas deste sistema contaminado e corrompido. Todos estamos expostos às suas trágicas conseguências, e é por isso, que o problema é de todos nós. Afinal, quem são os verdadeiros prisioneiros das grades de ferro, os moçinhos ou os bandidos?
E quem são os verdadeiros culpados por termos chegado a este estado total de degradação humana?




sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Vida Nova! (Daniela Costa)


Para se iniciar uma nova vida, é preciso desatar os nós do passado.
Desprender-se dos resquícios do que já se foi, e vislumbrar novos caminhos para o presente e o futuro.
É preciso literalmente esvaziar as gavetas, armários, descartando tudo aquilo que é nocivo à nossa alma.
E por mais difícil que seja a decisão de livrar-se do passado, faz-se necessário ter coragem, para renovar-se e nascer de novo.
Podemos começar adotando novos hábitos, valores, e novas referências de felicidade.
É preciso que se apague da mente o lixo nostálgico, a dor, a tristeza, a desilusão, a saudade de tempos que somente nos fizeram mal.
Retirar o véu que encobre nossos olhos e nosso coração, para então enxergar a realidade nua e crua, e desvencilhar-se das ilusões, das paixões, e das situações que gostaríamos de ter vivido, mas que não aconteceram.
Das pessoas que gostaríamos que tivessem sido diferentes, mas não foram. E compreender que não eram elas que tinham que mudar, e sim nós, que tínhamos de enxergá-las como sempre foram.
Então, se nos decepcionamos algum dia, o erro foi nosso. Apegamo-nos a situações irreais, a fantasias que só existiram em nossas cabeças. E quando fomos magoados, preferimos jogar a culpa em alguém, sem assumirmos a responsabilidade por nossas escolhas.
Para se viver uma nova vida, cheia de infinitas possibilidades, é preciso deixar que o vendaval do tempo cumpra sua função, e leve através de seus inúmeros dias, horas, minutos e segundos, as memórias que só nos fazem entristecer, e que em nada, acrescentam em nossas vidas.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Ajuda-me a ser feliz! (psicografado no Instituto André Luis)


Jesus amado, sei que vivo em um mundo de provas e expiações e onde a felicidade não é possível senão por breves momentos...
Na dificuldade do dia a dia, percebo o quanto eu me esforço para alcançá-la, lançando mão, para isso, de todos os recursos possíveis, de todas as armas, de todos os ardis, sempre em vão...
A felicidade, Senhor, chega aos pedaços, sem avisar e se vai inteira, sem adeus, sem se importar com o que eu faço para retê-la no coração!...
Nunca consigo alcançá-la, do modo como eu gostaria.
Por isso, peço-lhe, Jesus, me ajude a ser feliz conforme tua orientação e não conforme meus desejos...
Mostre-me onde está a felicidade e dê-me forças para conquistá-la; diga-me o que devo fazer para ser feliz nesta vida e de que modo devo proceder para afastar o tédio, a tristeza e o desencanto que não deixam meu coração em paz!...
Apenas sei que não posso prosseguir assim, entre a luz e a sombra, sem sentir prazer maior no que faço, sem encantar-me com quase nada, sem sorrir, sem experimentar emoções maiores e melhores, sem ser eu mesmo em momento algum!...
Pressinto em mim, Jesus, que posso muito mais do que tenho feito; que sou capaz de amar infinitamente, de sorrir e contagiar, de ter e conquistar, de encantar e me encantar, de ser alguém capaz de amar e ser amado e só por isso, dar e receber felicidade.
Mas preciso de auxílio, de sua mão para o primeiro passo.

Ajuda-me a ser feliz, Senhor!
Abre-me o coração à simplicidade e à caridade; me faz dócil ao teu comando, que é sempre o meu melhor bem, e me ampara o entendimento ainda tão frágil...
Mostre-me onde está a felicidade real e desvia meus olhos do poder das fortunas, da tentação dos corpos, do vício das paixões, das artimanhas do consumismo, da ilusão do mundo!...
Ampara-me, Jesus amado, para que eu possa experimentar desde já, senão a felicidade que desejo, ao menos a paz e o contentamento que percebo inalteráveis naqueles que te seguem, e que assim o são porque aceitam a felicidade que tu lhes dás!...
Assim seja!

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Amor Próprio (Charles Chaplin)


Quando me amei de verdade,
compreendi que eu sempre estava no lugar certo...
na hora certa.
Então relaxei.
Percebi que o sofrimento é sinal que estou indo contra a minha verdade.
Parei de desejar uma vida diferente e vi que tudo contribui para o meu crescimento.
Percebi como é ofensivo forçar alguma coisa ou alguém que não está pronto...
inclusive eu mesmo.
Tratei de descartar tudo o que não é saudável:
tarefas, pessoas, crenças e o que me põe para baixo.
Minha razão considerou isso egoísmo.
Mas eu sei que é "AMOR PRÓPRIO".

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Tristeza (Daniela Costa)


Triste é ter nos lábios um sorriso
e sentir lágrimas brotando dentro do coração.
É ver dentro dos olhos de alguém a felicidade
e nos seus, apenas solidão.
É buscar incessantemente algo que não se consegue doar.
É lutar bravamente para ser amado e não conseguir amar.
Triste, é morrer de tristeza e desamor.
É definhar pouco a pouco e se entregar à dor.
Quem dera a cota de amor do mundo, fosse dividida matematicamente.
Quem dera todos tivessem o direito de serem amados igualmente.
Tristeza é saber que muitos choram, e não tem ninguém para os consolar.
É saber que muitos agonizam em seus próprios sofrimentos,
Sem um amigo, com quem contar
.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Motivo (Cecília Meireles)


"Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa.

Não sou alegre nem sou triste:

Sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,

não sinto gozo nem tormento.

Atravesso noites e dias no vento.

Se desmorono ou se edifico, se permaneço ou me desfaço,

-- Não sei, não sei. Não sei se fico, ou passo.

Sei que canto.

E a canção é tudo.

Tem sangue eterno a asa ritmada.

E um dia sei que estarei mudo:

-- mais nada".

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

A Parte como o Todo (Daniela Costa)


Certo dia, um sábio criou um conto, para exemplificar como sempre julgamos a parte, como sendo o todo. Isto, cotidianamente. Na maioria das vezes, todos achamos que somos os donos da verdade, e nos baseamos em uma visão distorciada da realidade. E será que existe verdade absoluta?
Em uma dada época, dez homens cegos foram convidados a apalpar um elefante. Cada um ficaria restrito a uma pequena parte do corpo do animal. Ao final do exercício, todos o descreveriam.

O que surgiu então foram dez relatos diferentes. Dez visões diferenciadas sobre o mesmo assunto. Como não conheciam o todo, cada homem descreveu o elefante de acordo com a parte que havia tocado. O mais incrível, é que nenhum deles estava errado. Mas nenhum deles detinha toda a verdade.
Certa feita, quatro jovens receberam a missão de acompanhar o crescimento de uma árvore. Cada um participaria do processo, apenas em uma determinada época. Um veria sua semente ser plantada. O outro, acompanharia o nascimento de sua folhagem. O terceiro, observaria o processo em sua fase adulta. E por último, o quarto jovem, estaria presente em sua fase final. Todos eles teriam que relatar qual tinha sido sua visão sobre a árvore. E todos a descreveram de forma única, particular, e principalmente, diferente! Mas falavam da mesma árvore.
Talvez, se compreendermos que o pouco que nos é dado conhecer, é uma verdade, mas que não somos detentores da verdade completa, absoluta, consigamos evitar muitos conflitos, e até, muitas injustiças.
Quando aprendermos a respeitar a opinião do outro, como sendo parte de uma verdade, aprenderemos a compartilhar idéias. Saberemos unir os pensamentos em prol de um bem comum. Deixaremos para trás o egoísmo, o individualismo e a vaidade, e estaremos abertos para novos conhecimentos.


sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Viver! (Daniela Costa)


Ah... se viver fosse tão fácil quanto sonhar,
Se nos bastasse somente o querer,
Não nos sobraria tempo para o sofrer.
Se amar fosse simplesmente sentir,
Se fosse necessário apenas o desejo dos corpos,
Ou o ardor da paixão,
Então, não haveria desilusão!
Se para viver não fosse preciso morrer,
Ou se as dores nos fossem possível esquecer,
Então a imortalidade desejaríamos ter.
Se conseguíssemos sermos iguais,
Apesar de todas as nossas diferenças,
Não haveria tanta descrença, tanta violência.
Se cuidássemos da saúde do nosso corpo,
E também da lucidez de nossa alma,
Não haveria tanta doença.
Se fosse possível a nós mesmos vencer,
Nossas imperfeições, nossas amarras,
E controlar nossas emoções,
Aí sim, estaríamos prontos para viver!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Ser Feliz ( Fernando Pessoa)


"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis
no recôndito de sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas...
Um dia vou construir um castelo..."

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Bruxa Malvada ou Fada Madrinha? (Daniela Costa)


Às vezes me surpreendo quando recebo algum elogio dizendo que sou uma pessoa especial.
Não que eu não me considere merecedora, mas o fato é que cada um de nós sabe exatamente quem verdadeiramente somos.
Não é raro que nos entristeçamos com atos de ingratidão. Que nos sintamos infelizes por não sermos reconhecidos, amados, queridos.
E o quanto nós sofremos com o desprezo, com a falta de consideração?
Mas será que os outros tem a obrigação de nos amar, compreender e aceitar?
Será que nós estamos prontos para abrir o nosso coração, superar nossas limitações, nossos preconceitos e diferenças, para aceitar as pessoas como elas são?
E quanto à vaidade, ao egoísmo, egocentrismo, individualismo... o que fazemos com tudo isso?
Creio que todos nós temos um lado de bruxa malvada e outro de fada madrinha. A diferença é que tendemos mais para um lado, que para o outro.
O que não significa que quem tem cara de bonzinho, não seja um lobo mal, e que aquele que fala o que pensa, se expressa de maneira até grosseira, briga pelo o que é certo, que este não tenha um coração enorme!
É, às vezes, as aparências se enganam! É o famoso caso global, Donatela e Flora.
Daí surgem as incompreensões, os julgamentos...
A verdade é que não queremos perder o nosso tempo tentando entender o outro. Saber quais são suas razões, seus motivos.
Queremos apenas saber de nós mesmos!
Quem dera existissem mais Madres Tereza de Calcutá, Mahatma Gandhi, Padre Cícero, Chico Xavier e tantos outros mártires que tinham um enorme diferencial...
Eles abriram mão de si mesmos, de suas vaidades, para se doarem a seus semelhantes!

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Gratidão (Daniela Costa)


Hoje estou aqui para agradecer.
Pelas lágrimas choradas,
os dias vividos, os temores, as dores.
Pela alegria, fantasia, felicidade, pela saudade.
Hoje, estou aqui para agradecer pela Vida!
Pelos minutos, segundos...
Por abrir os olhos e vislumbrar o sol.
Por olhar para o céu e admirar a lua.
Por sentir sede e ter água para beber.
Por sentir fome e ter o que comer.
Por sentir sono e ter um leito para repousar.
Por terminar o dia,
e ter uma casa para onde retornar!
Hoje, agradeço a Deus por ser quem sou.
Pelas alegrias e tristezas vividas.
Pelo aprendizado adquirido.
Pelas lutas, desafios, obstáculos.
Porque sei que tudo é como tem de ser.
O que é bom ... e até mesmo o que é ruim.
Obrigada Senhor, por permanecer em mim!
Nos momentos de felicidade, de vitórias...
E principalmente, nos momentos de solidão,
desespero e desânimo.
Hoje, vim agradecer!
Porque sei que sem ti, nada sou.
Obrigada Pai, por tua misericórdia em minha vida!!!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Feliz Natal! (Daniela Costa)


Que o Natal seja motivo de alegria, felicidade, comemoração, agradecimento, solidariedade e gratidão.
Que seja visto como um momento de reflexão.
Que possamos olhar as pessoas e realmente enxergá-las.
Tocá-las, e realmente sentí-las.
Abraçá-las, e absorver o seu calor.
Sorrir, não só com os lábios, mas também com o coração.
Viver não somente em nosso pequeno mundo, e sim, percebendo as necessidades de um mundo inteiro.
Olhar para além dos nossos horizontes, e vislumbrar uma imensidão de pessoas que como nós, buscam apenas um pouco de atenção e respeito.
Falar sempre o que a mente inquieta nos incita, mais também saber calar-se, para não magoar aqueles que estão a nossa volta.
Saber que a vida é um abrir e fechar de olhos... é um simples bocejar.
Tão passageira, como a estrela cadente, como a luz do sol, ou como os raios de luar.
Ainda bem que nossa alma é eterna, infinita.
E é nela que devemos nossas energias, nossos sentimentos, emoções, depositar.
É ela que fala de nós, como somos, quem somos, de onde viemos e para onde vamos.
Ela possui todas as respostas, e no entanto, é costumeiramente esquecida.
Afinal, os prazeres da carne são mais urgentes, necessários.
Mas, que neste Natal, tenhamos consciência do que verdadeiramente somos.
Seres passageiros, com um corpo passageiro, uma vida passageira, em um planeta passageiro.
Então, se tudo é tão transitório, que tal darmos importância ao que realmente tem valor?
Coisas como dar um bom dia, uma boa tarde, dizer um obrigado, que sente saudades, que está triste, feliz, agradecido, ou dizer um simples “Eu Te Amo”!
Quem sabe também aprendamos a relevar acontecimentos sem importância.
A nos preocupar com o que é verdadeiramente um problema.
E por falar em problemas, que tal dar-lhes menos força, menos gravidade.
Podemos também aprender a rir das chatices que o cotidiano nos impõe.
Quem sabe assim consigamos descobrir a inocência e a magia da infância, o vigor e as descobertas da juventude, o amadurecimento e a beleza da fase adulta, a vivência e a sabedoria da terceira idade.
Quem sabe assim, descobramos o verdadeiro segredo para se viver muito, e principalmente, viver bem! Com muita paz, amor, esperança, gratidão, solidariedade, fé, tolerância, harmonia e renovação!

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

O Medo (Daniela Costa)



Sentir medo é algo que nos assusta, e às vezes, até nos paralisa. E como é ruim sentir que algo está fora do nosso controle. Sentir que por mais que se tente, o resultado conseguido não é satisfatório. O medo domina as nossas emoções. Nos faz sentir que não somos capazes, e até nos leva a duvidar dos nossos valores.
Medo de perder, de sofrer, de chorar, de fracassar, de se decepcionar. Mas o nosso grande problema na verdade, é o medo do que os outros irão pensar. Medo do massacre público, da discriminação, da ironia, do sarcasmo e do desprezo.
Temos mais medo do nosso semelhante, do que propriamente de errar. Talvez, se nos concentrássemos em nossos próprios objetivos, nos empenhando e dedicando, saberíamos que independente do resultado, estaremos fazendo a nossa parte. E é isso o que realmente importa.
Cada um sabe o seu próprio valor. Sabe da sua luta, de suas dificuldades, limitações e superações. Então por que nos baseamos sempre nos outros? Será que eles sabem mais de nossas vidas que nós mesmos? Por que deixamos que nos julguem, que nos questionem e que nos diminuam? Creio que isto ocorrerá até o momento em que tivermos a consciência de que somos os seres mais importantes de nossas vidas. E mais do que isso, que somos os responsáveis pelo nosso destino. Então pare de culpar o mundo, o vizinho, sua família, seus amigos, por suas derrotas.
Cabe somente a você, a conquista de seus objetivos.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Mal do século XXI (Daniela Costa)


-Qual é o seu nome?

- Nome? Não tenho apenas um. Tudo dependerá das circunstâncias.

- E quem é você?

-Sou aquela que pobres, ricos, negros, brancos, cultos ou ignorantes, políticos ou simples cidadãos, “todos”, sem exceção, temem. Mas, “de certa forma”, todos contribuem para que eu exista.

-E o que você faz?

-Eu não faço nada, as pessoas fazem por mim.

-Como assim?

-Eu só entro, quando encontro a porta aberta. Só atuo, onde alguém consciente ou não, permite. Tenho livre acesso na periferia, nas classes médias e altas. Aliás, meu local predileto é no meio de gente de colarinho branco, que anda todo cheio de pompa, de não me toque. No meio dessa gente, me dou muito bem, pois aproveito para utilizar alguns mecanismos para alcançar meus objetivos.

-Que mecanismos são esses?

-Observo qual é o ponto fraco de cada um. Em alguns, observo insatisfação, falta de coragem, de atitude, de objetivo. Mas eu me simpatizo mesmo é com aqueles egoístas, gananciosos, pervertidos. Aqueles que não possuem referência de Deus, de fé, de respeito ao seu semelhante, de limites, de compaixão. Com estes, eu me esbaldo. Uso e abuso. Porque sei que eles não resistirão às minhas sugestões, às minhas investidas. Sei que antes de pensarem em seu próximo, pensarão em si mesmos. Sei também que para alcançarem suas metas, não medirão esforços, nem se sentirão constrangidos em cometer algum ato ilícito.

-Mas que pessoas são essas?

-São aquelas que compram um baseadinho ali na esquina, sem pensarem que estão financiando o tráfico de drogas. Aquelas, “otárias”, que fumam maços e maços de cigarros, e não percebem que além de estarem acabando com suas vidas, também estão adoecendo pessoas inocentes e colaborando para empobrecer o seu país. Lotam os corredores dos hospitais para se tratarem de câncer de pulmão, assim como enriquecem homens inescrupulosos.
Algumas destas pessoas podem ser vistas contrabandeando animais, desmatando florestas, “ali”, na queridinha Amazônia. Tão querida, que ninguém cuida dela. Gosto muito daquelas que se escondem dentro de um gabinete, e ditam normas, regras, leis. Estas são as piores. Justificam-se dizendo que estão cuidando do que é do povo, e não exitam em mentir, enganar, praticar corrupção, mensalão, aumentar seus próprios salários, e tudo do jeito que eu gosto, com a maior crueldade possível. É, porque de bandido de morro, favela, aglomerado, vila, ou seja o que for ... já se espera de tudo. Mas daqueles lá não. Tirar comida da boca de criança, fazer com que não tenham direito a casa, saúde, educação; isso para eles é fichinha. Afinal, eles têm que engordar uma continha no exterior, com “dinheiro do povo, é claro”.
Isto é o que me faz sobreviver. Por meio de pessoas assim, é gerada toda essa desigualdade, toda essa decadência e miséria humana. E isso me fortalece a cada dia.

-Quer dizer que todos somos culpados por você existir?

-É claro!

-Mas por quê?

-Porque todo aquele que é conivente, que é omisso de suas responsabilidades como cidadão, que aceita os despautérios dos políticos, governantes, do crime organizado, da máfia, do contrabando... Todos são culpados!
Todo aquele que se cala, que não luta por uma sociedade mais justa, que se deixa dominar pelo medo, por dinheiro, por covardia... É culpado!
Todo aquele que apóia o errado, “porque afinal”, é uma coisinha tão pequena, né? É culpado!
Aquele que vê as crianças sofrendo maus tratos, sendo assediadas por pedófilos, sendo torturadas por pessoas acima de suspeita, sendo arrastadas quarteirões a fora, e não se manifestam... São culpados!
Aqueles que deixam seus idosos serem desrespeitados, roubados, abandonados... São culpados!
Que deixam suas mulheres serem violentadas, espancadas, mortas; e não tomam nenhuma atitude... São culpados!
Aquele que acha que roubar um pouquinho só, não faz mal... Que prejudicar seu semelhante não faz mal... Que torturar seres humanos, não faz mal... Que provocar guerras, não faz mal... Que tirar a vida de “um”, ou de “um milhão” de pessoas, não faz mal... Todos são conscientemente culpados!
Aquele que anda de carro importado, que mora em apto de luxo, que gasta uma fortuna com salão de beleza para sua mulher, brinquedos importados para o seu filho, escola de balé para a filha, mensalidades de colégios caríssimos, cotas de clubes exorbitantes, sapatos e roupas de grifes; casa de praia, viagens ao exterior... Aquele que tem dinheiro para tudo isso, mas que não possui a consciência de que milhões de pessoas no Brasil morrem de fome, de sede, e não tem onde morar... São culpados!
E mais culpados ainda, são aqueles que gastam rios de água potável lavando carro, calçada, e deixam que o líquido mais precioso do planeta, vá literalmente pelo ralo. Culpados, por fazerem com que sua casa se assemelhe a uma árvore de natal, de tão iluminada, enquanto muitos vivem no escuro. Culpados por desperdiçarem alimentos, por não ensinarem a seus filhos a importância da alimento, por os criarem como se fossem reis, ou verdadeiros tiranos, que se preocupam somente consigo mesmos, e só enxergam seu próprio umbigo. Vocês são todos culpados!

-E aqueles que são pobres, sem recursos, também são culpados?

-Culpados! Por achar que pobreza é sinônimo de vergonha, de mal caratismo. Que ser pobre é desculpa para se tornar ladrão, viciado, laranja, malandro, bandido. Que pobreza é o aval para entrar para o tráfico, para o roubo, para praticar a tortura, a covardia. Que é a desculpa para poderem aliciar menores, incentivar o uso de armas de fogo. Culpados por banalizar a vida!

-E a mídia, é culpada?

-Culpada! Por divulgar a pornografia, incentivar a prostituição, o sexo desenfreado, a desvalorização da família, a traição, o abandono dos filhos, a pedofilia. Por incentivar o consumo desmedido, por colaborar para o vazio que se instala dentro das pessoas, que já não encontram nada que os satisfaçam. Que vêem suas vidas invadidas por coisas supérfluas que lhes tiram a satisfação de ter uma vida simples. Afinal, para ser feliz, é preciso ser rico e importante, não é?

-Você diz que somos culpados por você existir, mas quem é você?
-Eu?! Sou a consequência de tudo, sou o resultado, o saldo negativo. Sou o fruto dos desmandos dos homens, de seus instintos perversos. Sou a razão do caos que se instala dia a dia no mundo inteiro, que aterroriza a sociedade, que atormenta cada indivíduo. Que lhes tira a liberdade, a autoconfiança e o sossego. Que os aprisiona em seus próprios lares, em suas próprias neuras, incertezas e inseguranças. Sou eu quem os sufoca. Quem os manipula, os dirige, pois todos fazem “tudo” pensando em mim. Com medo da minha presença e do que eu possa provocar.

Eu... sou o “Mal do século XXI” ... e dos séculos que estão por vir...

EU... SOU A VIOLÊNCIA!