sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Vida Nova! (Daniela Costa)


Para se iniciar uma nova vida, é preciso desatar os nós do passado.
Desprender-se dos resquícios do que já se foi, e vislumbrar novos caminhos para o presente e o futuro.
É preciso literalmente esvaziar as gavetas, armários, descartando tudo aquilo que é nocivo à nossa alma.
E por mais difícil que seja a decisão de livrar-se do passado, faz-se necessário ter coragem, para renovar-se e nascer de novo.
Podemos começar adotando novos hábitos, valores, e novas referências de felicidade.
É preciso que se apague da mente o lixo nostálgico, a dor, a tristeza, a desilusão, a saudade de tempos que somente nos fizeram mal.
Retirar o véu que encobre nossos olhos e nosso coração, para então enxergar a realidade nua e crua, e desvencilhar-se das ilusões, das paixões, e das situações que gostaríamos de ter vivido, mas que não aconteceram.
Das pessoas que gostaríamos que tivessem sido diferentes, mas não foram. E compreender que não eram elas que tinham que mudar, e sim nós, que tínhamos de enxergá-las como sempre foram.
Então, se nos decepcionamos algum dia, o erro foi nosso. Apegamo-nos a situações irreais, a fantasias que só existiram em nossas cabeças. E quando fomos magoados, preferimos jogar a culpa em alguém, sem assumirmos a responsabilidade por nossas escolhas.
Para se viver uma nova vida, cheia de infinitas possibilidades, é preciso deixar que o vendaval do tempo cumpra sua função, e leve através de seus inúmeros dias, horas, minutos e segundos, as memórias que só nos fazem entristecer, e que em nada, acrescentam em nossas vidas.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Ajuda-me a ser feliz! (psicografado no Instituto André Luis)


Jesus amado, sei que vivo em um mundo de provas e expiações e onde a felicidade não é possível senão por breves momentos...
Na dificuldade do dia a dia, percebo o quanto eu me esforço para alcançá-la, lançando mão, para isso, de todos os recursos possíveis, de todas as armas, de todos os ardis, sempre em vão...
A felicidade, Senhor, chega aos pedaços, sem avisar e se vai inteira, sem adeus, sem se importar com o que eu faço para retê-la no coração!...
Nunca consigo alcançá-la, do modo como eu gostaria.
Por isso, peço-lhe, Jesus, me ajude a ser feliz conforme tua orientação e não conforme meus desejos...
Mostre-me onde está a felicidade e dê-me forças para conquistá-la; diga-me o que devo fazer para ser feliz nesta vida e de que modo devo proceder para afastar o tédio, a tristeza e o desencanto que não deixam meu coração em paz!...
Apenas sei que não posso prosseguir assim, entre a luz e a sombra, sem sentir prazer maior no que faço, sem encantar-me com quase nada, sem sorrir, sem experimentar emoções maiores e melhores, sem ser eu mesmo em momento algum!...
Pressinto em mim, Jesus, que posso muito mais do que tenho feito; que sou capaz de amar infinitamente, de sorrir e contagiar, de ter e conquistar, de encantar e me encantar, de ser alguém capaz de amar e ser amado e só por isso, dar e receber felicidade.
Mas preciso de auxílio, de sua mão para o primeiro passo.

Ajuda-me a ser feliz, Senhor!
Abre-me o coração à simplicidade e à caridade; me faz dócil ao teu comando, que é sempre o meu melhor bem, e me ampara o entendimento ainda tão frágil...
Mostre-me onde está a felicidade real e desvia meus olhos do poder das fortunas, da tentação dos corpos, do vício das paixões, das artimanhas do consumismo, da ilusão do mundo!...
Ampara-me, Jesus amado, para que eu possa experimentar desde já, senão a felicidade que desejo, ao menos a paz e o contentamento que percebo inalteráveis naqueles que te seguem, e que assim o são porque aceitam a felicidade que tu lhes dás!...
Assim seja!

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Amor Próprio (Charles Chaplin)


Quando me amei de verdade,
compreendi que eu sempre estava no lugar certo...
na hora certa.
Então relaxei.
Percebi que o sofrimento é sinal que estou indo contra a minha verdade.
Parei de desejar uma vida diferente e vi que tudo contribui para o meu crescimento.
Percebi como é ofensivo forçar alguma coisa ou alguém que não está pronto...
inclusive eu mesmo.
Tratei de descartar tudo o que não é saudável:
tarefas, pessoas, crenças e o que me põe para baixo.
Minha razão considerou isso egoísmo.
Mas eu sei que é "AMOR PRÓPRIO".

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Tristeza (Daniela Costa)


Triste é ter nos lábios um sorriso
e sentir lágrimas brotando dentro do coração.
É ver dentro dos olhos de alguém a felicidade
e nos seus, apenas solidão.
É buscar incessantemente algo que não se consegue doar.
É lutar bravamente para ser amado e não conseguir amar.
Triste, é morrer de tristeza e desamor.
É definhar pouco a pouco e se entregar à dor.
Quem dera a cota de amor do mundo, fosse dividida matematicamente.
Quem dera todos tivessem o direito de serem amados igualmente.
Tristeza é saber que muitos choram, e não tem ninguém para os consolar.
É saber que muitos agonizam em seus próprios sofrimentos,
Sem um amigo, com quem contar
.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Motivo (Cecília Meireles)


"Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa.

Não sou alegre nem sou triste:

Sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,

não sinto gozo nem tormento.

Atravesso noites e dias no vento.

Se desmorono ou se edifico, se permaneço ou me desfaço,

-- Não sei, não sei. Não sei se fico, ou passo.

Sei que canto.

E a canção é tudo.

Tem sangue eterno a asa ritmada.

E um dia sei que estarei mudo:

-- mais nada".

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

A Parte como o Todo (Daniela Costa)


Certo dia, um sábio criou um conto, para exemplificar como sempre julgamos a parte, como sendo o todo. Isto, cotidianamente. Na maioria das vezes, todos achamos que somos os donos da verdade, e nos baseamos em uma visão distorciada da realidade. E será que existe verdade absoluta?
Em uma dada época, dez homens cegos foram convidados a apalpar um elefante. Cada um ficaria restrito a uma pequena parte do corpo do animal. Ao final do exercício, todos o descreveriam.

O que surgiu então foram dez relatos diferentes. Dez visões diferenciadas sobre o mesmo assunto. Como não conheciam o todo, cada homem descreveu o elefante de acordo com a parte que havia tocado. O mais incrível, é que nenhum deles estava errado. Mas nenhum deles detinha toda a verdade.
Certa feita, quatro jovens receberam a missão de acompanhar o crescimento de uma árvore. Cada um participaria do processo, apenas em uma determinada época. Um veria sua semente ser plantada. O outro, acompanharia o nascimento de sua folhagem. O terceiro, observaria o processo em sua fase adulta. E por último, o quarto jovem, estaria presente em sua fase final. Todos eles teriam que relatar qual tinha sido sua visão sobre a árvore. E todos a descreveram de forma única, particular, e principalmente, diferente! Mas falavam da mesma árvore.
Talvez, se compreendermos que o pouco que nos é dado conhecer, é uma verdade, mas que não somos detentores da verdade completa, absoluta, consigamos evitar muitos conflitos, e até, muitas injustiças.
Quando aprendermos a respeitar a opinião do outro, como sendo parte de uma verdade, aprenderemos a compartilhar idéias. Saberemos unir os pensamentos em prol de um bem comum. Deixaremos para trás o egoísmo, o individualismo e a vaidade, e estaremos abertos para novos conhecimentos.


sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Viver! (Daniela Costa)


Ah... se viver fosse tão fácil quanto sonhar,
Se nos bastasse somente o querer,
Não nos sobraria tempo para o sofrer.
Se amar fosse simplesmente sentir,
Se fosse necessário apenas o desejo dos corpos,
Ou o ardor da paixão,
Então, não haveria desilusão!
Se para viver não fosse preciso morrer,
Ou se as dores nos fossem possível esquecer,
Então a imortalidade desejaríamos ter.
Se conseguíssemos sermos iguais,
Apesar de todas as nossas diferenças,
Não haveria tanta descrença, tanta violência.
Se cuidássemos da saúde do nosso corpo,
E também da lucidez de nossa alma,
Não haveria tanta doença.
Se fosse possível a nós mesmos vencer,
Nossas imperfeições, nossas amarras,
E controlar nossas emoções,
Aí sim, estaríamos prontos para viver!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Ser Feliz ( Fernando Pessoa)


"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis
no recôndito de sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas...
Um dia vou construir um castelo..."

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Bruxa Malvada ou Fada Madrinha? (Daniela Costa)


Às vezes me surpreendo quando recebo algum elogio dizendo que sou uma pessoa especial.
Não que eu não me considere merecedora, mas o fato é que cada um de nós sabe exatamente quem verdadeiramente somos.
Não é raro que nos entristeçamos com atos de ingratidão. Que nos sintamos infelizes por não sermos reconhecidos, amados, queridos.
E o quanto nós sofremos com o desprezo, com a falta de consideração?
Mas será que os outros tem a obrigação de nos amar, compreender e aceitar?
Será que nós estamos prontos para abrir o nosso coração, superar nossas limitações, nossos preconceitos e diferenças, para aceitar as pessoas como elas são?
E quanto à vaidade, ao egoísmo, egocentrismo, individualismo... o que fazemos com tudo isso?
Creio que todos nós temos um lado de bruxa malvada e outro de fada madrinha. A diferença é que tendemos mais para um lado, que para o outro.
O que não significa que quem tem cara de bonzinho, não seja um lobo mal, e que aquele que fala o que pensa, se expressa de maneira até grosseira, briga pelo o que é certo, que este não tenha um coração enorme!
É, às vezes, as aparências se enganam! É o famoso caso global, Donatela e Flora.
Daí surgem as incompreensões, os julgamentos...
A verdade é que não queremos perder o nosso tempo tentando entender o outro. Saber quais são suas razões, seus motivos.
Queremos apenas saber de nós mesmos!
Quem dera existissem mais Madres Tereza de Calcutá, Mahatma Gandhi, Padre Cícero, Chico Xavier e tantos outros mártires que tinham um enorme diferencial...
Eles abriram mão de si mesmos, de suas vaidades, para se doarem a seus semelhantes!

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Gratidão (Daniela Costa)


Hoje estou aqui para agradecer.
Pelas lágrimas choradas,
os dias vividos, os temores, as dores.
Pela alegria, fantasia, felicidade, pela saudade.
Hoje, estou aqui para agradecer pela Vida!
Pelos minutos, segundos...
Por abrir os olhos e vislumbrar o sol.
Por olhar para o céu e admirar a lua.
Por sentir sede e ter água para beber.
Por sentir fome e ter o que comer.
Por sentir sono e ter um leito para repousar.
Por terminar o dia,
e ter uma casa para onde retornar!
Hoje, agradeço a Deus por ser quem sou.
Pelas alegrias e tristezas vividas.
Pelo aprendizado adquirido.
Pelas lutas, desafios, obstáculos.
Porque sei que tudo é como tem de ser.
O que é bom ... e até mesmo o que é ruim.
Obrigada Senhor, por permanecer em mim!
Nos momentos de felicidade, de vitórias...
E principalmente, nos momentos de solidão,
desespero e desânimo.
Hoje, vim agradecer!
Porque sei que sem ti, nada sou.
Obrigada Pai, por tua misericórdia em minha vida!!!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Feliz Natal! (Daniela Costa)


Que o Natal seja motivo de alegria, felicidade, comemoração, agradecimento, solidariedade e gratidão.
Que seja visto como um momento de reflexão.
Que possamos olhar as pessoas e realmente enxergá-las.
Tocá-las, e realmente sentí-las.
Abraçá-las, e absorver o seu calor.
Sorrir, não só com os lábios, mas também com o coração.
Viver não somente em nosso pequeno mundo, e sim, percebendo as necessidades de um mundo inteiro.
Olhar para além dos nossos horizontes, e vislumbrar uma imensidão de pessoas que como nós, buscam apenas um pouco de atenção e respeito.
Falar sempre o que a mente inquieta nos incita, mais também saber calar-se, para não magoar aqueles que estão a nossa volta.
Saber que a vida é um abrir e fechar de olhos... é um simples bocejar.
Tão passageira, como a estrela cadente, como a luz do sol, ou como os raios de luar.
Ainda bem que nossa alma é eterna, infinita.
E é nela que devemos nossas energias, nossos sentimentos, emoções, depositar.
É ela que fala de nós, como somos, quem somos, de onde viemos e para onde vamos.
Ela possui todas as respostas, e no entanto, é costumeiramente esquecida.
Afinal, os prazeres da carne são mais urgentes, necessários.
Mas, que neste Natal, tenhamos consciência do que verdadeiramente somos.
Seres passageiros, com um corpo passageiro, uma vida passageira, em um planeta passageiro.
Então, se tudo é tão transitório, que tal darmos importância ao que realmente tem valor?
Coisas como dar um bom dia, uma boa tarde, dizer um obrigado, que sente saudades, que está triste, feliz, agradecido, ou dizer um simples “Eu Te Amo”!
Quem sabe também aprendamos a relevar acontecimentos sem importância.
A nos preocupar com o que é verdadeiramente um problema.
E por falar em problemas, que tal dar-lhes menos força, menos gravidade.
Podemos também aprender a rir das chatices que o cotidiano nos impõe.
Quem sabe assim consigamos descobrir a inocência e a magia da infância, o vigor e as descobertas da juventude, o amadurecimento e a beleza da fase adulta, a vivência e a sabedoria da terceira idade.
Quem sabe assim, descobramos o verdadeiro segredo para se viver muito, e principalmente, viver bem! Com muita paz, amor, esperança, gratidão, solidariedade, fé, tolerância, harmonia e renovação!

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

O Medo (Daniela Costa)



Sentir medo é algo que nos assusta, e às vezes, até nos paralisa. E como é ruim sentir que algo está fora do nosso controle. Sentir que por mais que se tente, o resultado conseguido não é satisfatório. O medo domina as nossas emoções. Nos faz sentir que não somos capazes, e até nos leva a duvidar dos nossos valores.
Medo de perder, de sofrer, de chorar, de fracassar, de se decepcionar. Mas o nosso grande problema na verdade, é o medo do que os outros irão pensar. Medo do massacre público, da discriminação, da ironia, do sarcasmo e do desprezo.
Temos mais medo do nosso semelhante, do que propriamente de errar. Talvez, se nos concentrássemos em nossos próprios objetivos, nos empenhando e dedicando, saberíamos que independente do resultado, estaremos fazendo a nossa parte. E é isso o que realmente importa.
Cada um sabe o seu próprio valor. Sabe da sua luta, de suas dificuldades, limitações e superações. Então por que nos baseamos sempre nos outros? Será que eles sabem mais de nossas vidas que nós mesmos? Por que deixamos que nos julguem, que nos questionem e que nos diminuam? Creio que isto ocorrerá até o momento em que tivermos a consciência de que somos os seres mais importantes de nossas vidas. E mais do que isso, que somos os responsáveis pelo nosso destino. Então pare de culpar o mundo, o vizinho, sua família, seus amigos, por suas derrotas.
Cabe somente a você, a conquista de seus objetivos.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Mal do século XXI (Daniela Costa)


-Qual é o seu nome?

- Nome? Não tenho apenas um. Tudo dependerá das circunstâncias.

- E quem é você?

-Sou aquela que pobres, ricos, negros, brancos, cultos ou ignorantes, políticos ou simples cidadãos, “todos”, sem exceção, temem. Mas, “de certa forma”, todos contribuem para que eu exista.

-E o que você faz?

-Eu não faço nada, as pessoas fazem por mim.

-Como assim?

-Eu só entro, quando encontro a porta aberta. Só atuo, onde alguém consciente ou não, permite. Tenho livre acesso na periferia, nas classes médias e altas. Aliás, meu local predileto é no meio de gente de colarinho branco, que anda todo cheio de pompa, de não me toque. No meio dessa gente, me dou muito bem, pois aproveito para utilizar alguns mecanismos para alcançar meus objetivos.

-Que mecanismos são esses?

-Observo qual é o ponto fraco de cada um. Em alguns, observo insatisfação, falta de coragem, de atitude, de objetivo. Mas eu me simpatizo mesmo é com aqueles egoístas, gananciosos, pervertidos. Aqueles que não possuem referência de Deus, de fé, de respeito ao seu semelhante, de limites, de compaixão. Com estes, eu me esbaldo. Uso e abuso. Porque sei que eles não resistirão às minhas sugestões, às minhas investidas. Sei que antes de pensarem em seu próximo, pensarão em si mesmos. Sei também que para alcançarem suas metas, não medirão esforços, nem se sentirão constrangidos em cometer algum ato ilícito.

-Mas que pessoas são essas?

-São aquelas que compram um baseadinho ali na esquina, sem pensarem que estão financiando o tráfico de drogas. Aquelas, “otárias”, que fumam maços e maços de cigarros, e não percebem que além de estarem acabando com suas vidas, também estão adoecendo pessoas inocentes e colaborando para empobrecer o seu país. Lotam os corredores dos hospitais para se tratarem de câncer de pulmão, assim como enriquecem homens inescrupulosos.
Algumas destas pessoas podem ser vistas contrabandeando animais, desmatando florestas, “ali”, na queridinha Amazônia. Tão querida, que ninguém cuida dela. Gosto muito daquelas que se escondem dentro de um gabinete, e ditam normas, regras, leis. Estas são as piores. Justificam-se dizendo que estão cuidando do que é do povo, e não exitam em mentir, enganar, praticar corrupção, mensalão, aumentar seus próprios salários, e tudo do jeito que eu gosto, com a maior crueldade possível. É, porque de bandido de morro, favela, aglomerado, vila, ou seja o que for ... já se espera de tudo. Mas daqueles lá não. Tirar comida da boca de criança, fazer com que não tenham direito a casa, saúde, educação; isso para eles é fichinha. Afinal, eles têm que engordar uma continha no exterior, com “dinheiro do povo, é claro”.
Isto é o que me faz sobreviver. Por meio de pessoas assim, é gerada toda essa desigualdade, toda essa decadência e miséria humana. E isso me fortalece a cada dia.

-Quer dizer que todos somos culpados por você existir?

-É claro!

-Mas por quê?

-Porque todo aquele que é conivente, que é omisso de suas responsabilidades como cidadão, que aceita os despautérios dos políticos, governantes, do crime organizado, da máfia, do contrabando... Todos são culpados!
Todo aquele que se cala, que não luta por uma sociedade mais justa, que se deixa dominar pelo medo, por dinheiro, por covardia... É culpado!
Todo aquele que apóia o errado, “porque afinal”, é uma coisinha tão pequena, né? É culpado!
Aquele que vê as crianças sofrendo maus tratos, sendo assediadas por pedófilos, sendo torturadas por pessoas acima de suspeita, sendo arrastadas quarteirões a fora, e não se manifestam... São culpados!
Aqueles que deixam seus idosos serem desrespeitados, roubados, abandonados... São culpados!
Que deixam suas mulheres serem violentadas, espancadas, mortas; e não tomam nenhuma atitude... São culpados!
Aquele que acha que roubar um pouquinho só, não faz mal... Que prejudicar seu semelhante não faz mal... Que torturar seres humanos, não faz mal... Que provocar guerras, não faz mal... Que tirar a vida de “um”, ou de “um milhão” de pessoas, não faz mal... Todos são conscientemente culpados!
Aquele que anda de carro importado, que mora em apto de luxo, que gasta uma fortuna com salão de beleza para sua mulher, brinquedos importados para o seu filho, escola de balé para a filha, mensalidades de colégios caríssimos, cotas de clubes exorbitantes, sapatos e roupas de grifes; casa de praia, viagens ao exterior... Aquele que tem dinheiro para tudo isso, mas que não possui a consciência de que milhões de pessoas no Brasil morrem de fome, de sede, e não tem onde morar... São culpados!
E mais culpados ainda, são aqueles que gastam rios de água potável lavando carro, calçada, e deixam que o líquido mais precioso do planeta, vá literalmente pelo ralo. Culpados, por fazerem com que sua casa se assemelhe a uma árvore de natal, de tão iluminada, enquanto muitos vivem no escuro. Culpados por desperdiçarem alimentos, por não ensinarem a seus filhos a importância da alimento, por os criarem como se fossem reis, ou verdadeiros tiranos, que se preocupam somente consigo mesmos, e só enxergam seu próprio umbigo. Vocês são todos culpados!

-E aqueles que são pobres, sem recursos, também são culpados?

-Culpados! Por achar que pobreza é sinônimo de vergonha, de mal caratismo. Que ser pobre é desculpa para se tornar ladrão, viciado, laranja, malandro, bandido. Que pobreza é o aval para entrar para o tráfico, para o roubo, para praticar a tortura, a covardia. Que é a desculpa para poderem aliciar menores, incentivar o uso de armas de fogo. Culpados por banalizar a vida!

-E a mídia, é culpada?

-Culpada! Por divulgar a pornografia, incentivar a prostituição, o sexo desenfreado, a desvalorização da família, a traição, o abandono dos filhos, a pedofilia. Por incentivar o consumo desmedido, por colaborar para o vazio que se instala dentro das pessoas, que já não encontram nada que os satisfaçam. Que vêem suas vidas invadidas por coisas supérfluas que lhes tiram a satisfação de ter uma vida simples. Afinal, para ser feliz, é preciso ser rico e importante, não é?

-Você diz que somos culpados por você existir, mas quem é você?
-Eu?! Sou a consequência de tudo, sou o resultado, o saldo negativo. Sou o fruto dos desmandos dos homens, de seus instintos perversos. Sou a razão do caos que se instala dia a dia no mundo inteiro, que aterroriza a sociedade, que atormenta cada indivíduo. Que lhes tira a liberdade, a autoconfiança e o sossego. Que os aprisiona em seus próprios lares, em suas próprias neuras, incertezas e inseguranças. Sou eu quem os sufoca. Quem os manipula, os dirige, pois todos fazem “tudo” pensando em mim. Com medo da minha presença e do que eu possa provocar.

Eu... sou o “Mal do século XXI” ... e dos séculos que estão por vir...

EU... SOU A VIOLÊNCIA!

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Imprevistos (Daniela Costa)




Fico pensando sobre o quanto somos suscetíveis aos acontecimentos aleatórios e imprevistos. E será que estamos preparados para vivenciá-los?
Você acorda pela manhã, realiza suas atividades habituais como desligar aquele despertador chato que insiste em continuar tocando; escovar os dentes e vestir uma roupa que nem sempre estará com todas as peças combinando. Isto quando você não insiste em dormir mais cinco minutinhos e acaba perdendo a hora. Outras vezes, você até consegue tomar um café da manhã decente e não perde, pela quarta vez na semana, o horário do ônibus. Bom, neste estágio você pelo menos já conseguiu sair de casa, o que, cá pra nós, dependendo do dia já é uma vitória. É, mas a felicidade dura pouco. A essa altura, você já está imaginando se vai ter que ficar, mais uma vez, pelo menos uns quarenta e cinco minutos de pé. Porque ,é óbvio, que neste horário o ônibus vai passar lotado. Talvez você nem consiga entrar, mas mesmo assim, mantém o bom humor. Afinal, isto já faz parte da sua rotina.
Uma vez que você entrou no ônibus, sua atenção está voltada em como superar o obstáculo de ultrapassar a roleta, e encontrar um “confortável” espaço para se “escorar”, de preferência, longe de oportunistas que tentam “tirar uma casquinha”.
Se estiver carregando mochila, pasta ou bolsa, trate logo de mostrar o quanto se sente incomodado, e torça para que um raro cavalheiro se disponha a levá-la. Caso isto não ocorra, e acredite, geralmente não acontece, você terá que utilizar algumas táticas de “especialistas em ônibus lotado”.
Sendo que, demonstrar-se incomodada não funcionou, apele para outras alternativas. Comece a roçar a mochila no braço do sujeito. Caso o método não seja suficiente, você muito discretamente e com aquele ar de quem não quer nada, esbarra com o objeto na região peitoral, mais especificamente acima do pescoço, “quase no nariz” do indivíduo. Então espera-se que ocorram três coisas: A primeira é o “sem desconfiômetro” ser vencido pelo cansaço, e implorar para levar sua mochila. A segunda é ele ficar tão incomodado, que até se retira do banco , o que no caso seria a melhor opção. E a terceira, não tão boa assim, seria ele armar um barraco e surgir aquele imprevisto de última hora, que mencionei no início. E aí, o que fazer neste momento? O que fazer em situações em que não possuímos o controle? Somos capazes de dominar nossos instintos? Você é capaz de dominar a si mesmo?

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

A difícil tarefa de ser feliz! (Daniela Costa)


Às vezes, aliás, “ inúmeras vezes”, me pergunto por que é tão difícil ser feliz sendo nós mesmos?
Ao escrever estas considerações, não tenho a pretensão de resolver problemas psicológicos, dramas pessoais, ditar regras de conduta, ou dicas milagrosas de como ser feliz. Nem mesmo quero preocupar-me se o meu português está impecavelmente correto.
O que eu quero mesmo, é escrever...
Compartilhar com quem quer que seja, ou apenas comigo mesma, alguns questionamentos que ficam latentes em minha mente, e que influenciam em meu dia-a-dia. E assim como me perturbam, provavelmente você que está lendo este texto agora, também deve identificar-se com algumas situações.
Não espere nada inusitado, diferente, nem muito especial. Afinal, como eu já disse no título, sou apenas uma mulher comum, com muitas dúvidas para esclarecer.
Como talvez, você também seja, sou apenas mais uma pessoa lutando desesperadamente para sobressair-me em meio à multidão.
E por falar em sobressair, fico pensando por que na maioria das vezes, e para uma grande maioria das pessoas, o que é do outro, é sempre mais interessante.
Sei lá, muitas vezes me pego sentindo que está faltando algo, como se a vida que eu vivo, não fosse a que eu quisesse viver!
Quantas vezes olhamos para alguém e imaginamos que a vida desta pessoa deve ser maravilhosa! Aí eu me pergunto: Será mesmo assim? Ou será que nós é que não enxergamos nosso próprio potencial?
Como você deve estar percebendo, este texto é repleto de interrogações, e vai continuar assim... até que cheguemos a um consenso, ou até que alguém consiga convencer-me do contrário, o que será difícil!
Ser uma pessoa comum, talvez seja mais difícil, do que ser uma celebridade. Você pode até achar engraçado, mas pense bem em sua rotina.
A não ser que você não faça parte deste nosso mundo comum, e já tenha conseguido o seu lugar ao sol, irá concordar que ser apenas “comum”, é complicado!
Para começar, você tem sempre que estar um passo à frente pensando no que poderá ser feito, para que no dia que acaba de iniciar-se, você consiga fazer algo diferente.
E isto não é tão fácil, afinal, o stress faz parte de nossas vidas e como somos simples mortais, até então desprovidos de tanta sorte, fazer com que um dia seja diferente do outro, é coisa para quem têm coragem!
Você acorda, e tudo dependerá do seu humor naquela manhã. Se você estiver bem disposto, talvez anime-se a algumas aventuras, como colocar o som alto, vestir uma roupa mais ousada, usar uma maquiagem mais atrevida, um perfume sensual e sentir-se a própria Angelina Jolie.
Mas, se você olha-se no espelho, dá aquela respirada, observa aquela linha de expressão que saiu não se sabe de onde, olha para aquele cabelo que realmente está péssimo, e sente-se a própria Fiona, “pronto”, um belo dia foi para o ralo.
E será que as celebridades também tem estes problemas de se acharem feias, gordas, insignificantes? Será que pessoas como Rick Martin, já acordaram alguma vez e se sentiram um lixo?
E aquelas pessoas que não chegam a ser nenhum astro de holywood, mas são bem sucedidas. Aquelas que talvez, como você, nasceram no famoso berço de ouro. Tiveram a sorte de terem uma família maravilhosa, uma casa confortável, aulas de balé, judô, etiqueta, inglês, francês, e por aí afora... e ainda receberam muito amor. Será que elas também, volta e meia, sentem-se um fracasso?
Bom, se a resposta for positiva, isso é ótimo para nós, “pessoas comuns”, porque significa que o problema não está na falta de condição financeira, ou em se ser desprovido de beleza, inteligência, malícia, sensualidade, e até de amor.
O problema na verdade estará dentro de cada um nós. E isso realmente é um grave problema, pois, como ser feliz sendo carente do conforto que o dinheiro pode trazer, das vantagens que a beleza pode proporcinar, e do aconchego e segurança que o amor pode nos dar? Você pode me dizer se isso é possível?
Será que ao final, ricos ou pobres, simples ou sofisticados, somos todos iguais?
O que muda talvez seja o meio social no qual vivemos. Mas aí as exigências e as necessidades também serão diferentes, de acordo com cada ambiente em que nos relacionamos. Então o que muda? O que nos falta para sermos felizes?
Que vazio é este que instala-se em nossas vidas, mesmo quando tudo parece estar bem?
Alguns vão dizer que isto não existe. Outros, que é falta de fé, de coragem, e até mesmo de amor próprio. Mas creio que todos nós estamos à mercê destes sentimentos complexos e confusos.
Acredito que esta tal de globalização nos trouxe muitos benefícios, mas também levou para dentro de nossas casas, e consequentemente para dentro de nossas vidas, tanta informação e novidade, que acabamos nos sentindo reduzidos a nós mesmos, ou seja, a seres comuns.
Veja se você concorda comigo.
Quando liga a tv, o que você vê? Isto interfere de alguma forma em sua vida? E quando acessa a internet, ou ouve o rádio, ou utiliza o seu Ipod, o celular, sua câmara fotográfica, e até mesmo o seu notebook, isto influencia em sua vida?
Lembro-me bem que quando pré-adolescente, desejava muito ter uma máquina de escrever para poder redigir alguns poemas, escrever algumas histórias, ou até mesmo um livro!
Como não tive, fui me virando, primeiro utilizando emprestado, depois no trabalho, mais tarde, na faculdade, utilizei os computadores disponíveis, e hoje tenho o meu desejado notebook. Mas confesso que apesar de extremamente útil, a máquina de escrever, naquela época, foi bem mais desejada!
Acho que nós temos uma necessidade constante de obter novas conquistas. Mas será que isto é ruim? Afinal, como manter um relacionamento, um trabalho, se ao final tudo se torna insatisfatório?
Mas voltando ao assunto da globalização, quando não se tinha acesso a tanta novidade, talvez as pessoas se contentassem com suas próprias vidas. Talvez, por não conhecer, não desejariam serem parecidas com a Britney Spears, ou ter o talento do Louis Hamilton, até mesmo a Xuxa, não teria tanta influência sobre as crianças.
Será que adquirir certos conhecimentos contribui para aumentar este vazio constante em nossas vidas?
Claro que se nos muníssemos apenas de conhecimento qualificado, produtivo, enobrecedor, seríamos seres humanos extremamente cultos e bem informados. Mas como não deixar-se influenciar pelo lado negro dos meios de comunicação?
O que você faz para não olhar-se no espelho e achar que está com 5 quilos a mais, porque a moça da TV é magérrima? O que você faz para não sentir que o que você possui é pouco, porque, afinal, nas novelas, até o núcleo pobre é rico, cheio de glamour e romance? E quando o filho do milionário se apaixona pela filha da empregada? Como evitar que ilusões se tornem latentes nos corações de milhares de jovens sonhadoras?
Pode até parecer bobagem, você pode até não ter sido vítima de algo parecido, porque talvez, sua vida tenha sido satisfatória. Mas e as outras milhares de jovens que já sofreram horrores quando viram seu castelo de areais ruir, e tiveram que cair literalmente na real?
E voltando ao nosso questionamento inicial, será que é fácil viver no mundo real? Será que você consegue enxergar outra realidade, que não seja a sua? Será que eu consigo? Ou será que perdemos tanto tempo enxergando os outros que nos esquecemos de avaliarmos a nós mesmos?